terça-feira, 22 de outubro de 2013

NO PÉ DE JACA
















Manhã ensolarada.
O verde ao nosso redor. 
O frio fresco da serra.
Cafezal, coqueiral e cercas de arame.
Uma jaqueira de caule vigoroso.
Frutos pendurados.
Sombra em abundância.
Chamando a criançada.
Cheiro inebriante de jaca madura.
A força do coletivo destrava o abrigo da fruta.
Roda de crianças no chão.
Comilança do bago mole e delicioso.
Com as mãos, livrando-se do visgo.
Jogando de lado as graúdas sementes.  
Ouvindo os pássaros inquietos.
Nutrição num ritual de doce brincadeira.
Até ficar triste.
De tanto se abastecer. 

sábado, 19 de outubro de 2013

SACRIFÍCIOS DO AMOR

















Foto: Norma Novais

Um amor tornado cinza,
não fosse o sopro nas chamas,
vagando nas incertezas
e na distância que engana.
Um amor tornado mudo,
não fosse o grito da escolha.
Vagando nos sonhos loucos
e nos mistérios de bolha.
Um amor tornado vivo,
não fosse o pulsar do peito.
Vagando nas profundezas
no seu doce deleito.

MURMÚRIOS ESTÉTICOS


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




 
 
Foto: Norma Novais
 
Tu me chegas.
E eu te amo de repente.
Singela, meiga e fina.
Pétalas em encaixes de ternura.
Abrandando meu olhar ligeiro.
Acetinando meu coração.
Que em ti murmura.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

MISTÉRIO DA ORQUÍDEA

















Foto: Norma Novais

Beleza abrigada no galho.
Orquídeas que se mostram.
Na brandura do lilás.
Penduradas na vida.
Estaciono meu olhar ali.
Uma vibração estética me visita.
Eu me demoro na contemplação.
Congelo o mistério para mim.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ENCONTRO















Sou noite
não enlutada.
Numa penumbra acetinada
por discreta luz.
Mundo dourado
amigo das fantasias.
Fios de estrelas caem da árvore
cintilantes.
Uma mesa quase solitária
não fosse um arranjo de primavera.
O encontro virá ou se perderá no apagar das luzes?
A noite tem pressa
respira anseios.
O amor mais ainda.

MIRAGEM













Miro o vento
a passar.
O cair das folhas
mortas.
Miro um fiapo de amor
sobrevivente.
Um gesto seu
impreciso.
Miro um pincel
a cuspir cores.
Um respingo de água
frouxa.
Miro a noite que chega
para dormir amando.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

DIAS PASSANTES















Os dias fazem o seu voo ligeiro e rasante.
Os sentidos não dão conta dessa correnteza.
A alma mais jovem que o trono que a habita,
faz as suas rebeldias.
Os apegos são partes mortas,
pedras desejosas de criar raízes.
A vida, flores do campo de agora,
correndo por várias estações.
Flores dos movimentos,
dos tempos que se vão.